junho 23, 2009
FLAP 2009, aqui vamos nós!
É sim, mais um ano de FLAP.
Quem disse que o festival que durava um único dia, criado pela Ana Rüsche e outros alunos de Letras em 2005, não chegaria até aqui? Bom, eu nunca duvidei disso, do que duvidei é de que eu estaria na organização dessa bagunça.
Mas o ano passado estive, e o festival se tornou internacional, e agora convidamos novamente muitos poetas, poetas maravilhosos!
Será uma semana inteira, e teremos duas oficinas, do Alejandro Méndez e do Diego Ramirez, poetas da Argentina e do Chile com trabalhos maravilhosos de criação literária em grupo, com quem temos tido uma interlocução interessante. Afinal, foi inspirado no trabalho do Diego que iniciamos a PIOLHEIRA, e não é a voz do Alejandro junto com a minha no Hechizo de Navidad que a Ana escreveu em dezembro passado?
Os poemas são escritos, mas precisam ser falados. Eles se dirigem a alguém, e pretendem produzir um efeito no mundo. Esse eu acho que é o entendimento comum aos poetas da FLAP.
Você quer saber o tema, a programação, tudo? Temos um site!
E temos um twitter -- se é que alguém lê isso :-) : http://twitter.com/flap2009.
Ajudem a divulgar, queridos. Quero ver muita gente lá este ano.
Publicado às 13h08 | Comentários: 0
junho 10, 2009
Eu sou movido por sucesso
Não é de se espantar que eu tenha deixado o blog em recesso!
Depois de 200 comentários, sendo que mais de 100 em menos de um ano!
Não sei, talvez meus amigos falem demais, porque é raro vc ter um blog com praticamente 1 comentário para cada entrada. 86% na média, na verdade.
E como eu sou movido pelo sucesso, fiquei satisfeito e parei de escrever.
Ou isso significa que não sou movido pelo sucesso, mas pela ambição?
Mas isso lá é ambição? Encaremos os fatos, a internet amplia um pouco as dimensões. Cem visitas diárias não é muita coisa quando qualquer besteira que vc põe no google te coloca entre as primeiras chamadas. Ah, como eu queria ter um blog como o da Ana Rüsche, que é referência não só pra literatura, mas quase leitura obrigatória, por onde vc ande. Ou do Ricardo Domeneck, onde vc pode acompanhar debates intermináveis a respeito daquelas coisas sobre as quais justamente gostaríamos, sem dúvida alguma, de ter debates intermináveis.
Mas não, não tenho podido travar as minhas próprias discussões intermináveis -- o que eu não diria a vc, Domeneck? -- tenho precisado ir a campo.
Sim, estamos avançando com a FLAP 2009. Desta vez, menos organizadores, um pouco mais de trabalho. Porém vc verá, estamos caprichando. O tema será Vinte Anos de Muro e pra discutir esse tema na poesia convidamos quase vinte poetas brasileiros e de outros países da América Latina. Além disso, os críticos Paulo Franchetti e Luci Collin oferecerão sua visão para dimensionar o debate.
Uma vez alguém disse que não se devia confiar num poeta que editasse revistas. Não confie tampouco num que organize festivais.
Isso tudo é muito complexo, mas a gente fala em números e tudo fica mais simples, não é assim?
Publicado às 1h44 | Comentários: 1
maio 12, 2009
Mais um concurso de sucesso, levado até você por O que eu vou comer amanhã
E a grande vitoriosa (parece que os homens evitam comentários em épocas em que se arriscam a ganhar rosas e poemas) é ninguém mais nem menos que a bailarina, empresária, apoiadora da FLAP, coordenadora e dona do Espaço 7 - Artes do Corpo, Camila Ganc.
A Carol Marossi bem que tentou, num comentário lindo a Cavar um lugar, e foi o 199° comentário do blog. Mas a Cami, depois de uma espera ansiosa, e aparentemente, salutar, acertou em cheio com o 200° comentário, feito a Pequenas iluminações IV, e será presenteada com um poema, o qual será escrito sem pressa, comme il faut.
Agradeço às duas gazelas que se anteciparam, a todo mundo que pensou em participar mas hesitou um momento fatal a mais, e ainda a quem, para evitar meu constrangimento e saia justa, deixou de participar.
E aviso que já temos uma lista dos convidados para a FLAP. Assim que eu efetivar os convites, vou colocar aqui seus nomes.
Adianto que serão entre 10 e 12 estrangeiros, e mesma quantidade de brasileiros, além de 4 críticos de peso.
Adianto também os que temos confirmados: Ana Rüsche, que não preciso apresentar, Dirceu Villa, que publicou o ótimo -- e quase ilegível, é preciso ruminá-lo, como sugeria o Nietzsche, e não compreendê-lo depressa demais, como dizia o Lacan -- Icterofagia, o melhor livro de poemas do ano passado, Fábio Aristimunho Vargas, para quem eu aproveito fazer o jabá sobre a publicação da coletânea Poesias de Espanha, maravilhosa, recém-publicada, e que recomendo fortemente -- minha próxima compra, depois dos Outros Escritos do Lacan, e também meu próximo livro de cabeceira e, finalmente, Paulo Ferraz, que, dizem, escreveu o melhor poema da década. Todos os quatro tiveram uma influência importante na minha formação poética, e se não digo mais, é porque sou excessivamente próximo para uma avaliação imparcial. Mas digo: eles são os melhores.
A FLAP tá chegando...
Publicado às 23h32 | Comentários: 4
maio 09, 2009
Cavar um lugar
Fazer poesia não tem nada a ver com ser poeta.
Aliás, não tem nada mais idiota que um poeta falando de poesia. Puta, yo sufro.
Mas é preciso abrir no mundo um lugar pra isso, ou isso deixa de existir. Aliás, quem disse que o mundo mesmo não deixaria de existir? Será demais dizer que estou convencido disso?
E essa nem é a única questão, e nem mesmo a principal. Pois não é só a poesia que anda sem lugar. Mas isso também está acontecendo em algum lugar.
Mesmo assim fomos à PIOLHEIRA, na quarta à noite, e pudemos ler dois belos poemas de d. Lilian Abigail Aquino, que aliás não estão perfeitamente acabados, ou melhor, estavam, mas pudemos comentar & opinar e poderemos ver alguns avanços ainda da próxima vez.
Eu, mesmo, levei um texto pronto, mas depois dos comentários achei que ainda havia mais o que se fazer a partir dele, porque, como dizia Mario de Andrade, o não-assumido, a questão para o escritor nunca é escrever bem, mas escrever sempre melhor.
O caso é que o poema era o finalmente acabado --mas não ainda, como disse-- prêmio para a Manu por ter ganhado, ano passado, o Concurso O 100° Comentário do O que eu vou comer amanhã.
Mas, bem, ela não estava, e talvez quando ela for, e eu puder ler pessoalmente pra ela (até lá, também vcs vão esperar) ele esteja mesmo melhor.
O que é muito bom, e me faz perceber que estamos próximos do 200° comentário. Sendo assim, abro a moderação de comentários para receber, de imediato, o 200°, que aliás não digo quantos faltam pra isso, temos que nos valer um pouco do acaso, que só assim pode ser feliz.
Que vença o mais sortudo.
Publicado às 17h26 | Comentários: 1
maio 02, 2009
Meu senso aristocrático
Eu odeio o senso democrático. É muito comum, hoje em dia, e além do mais, hipócrita.
Prefiro o meu senso aristocrático.
Que não é lá tão apurado, ou eu não estava aqui falando disso, menos ainda fazendo este blog.
Mas eu me esforço.
Acontece que lembrei hoje o que me disse uma vez uma menina. Era uma festa, a gente foi jogar futebol no gramado, um monte de gente. Daí eu estava com a bola e ela veio querendo tirar de mim, eu dibrei e saí pelo lado, corri, e fiz um passe na área. Atrás de mim, ouvi ela gritar a coisa mais estranha: que eu já era inteligente, não estava certo eu também jogar bem futebol.
E eu nem jogo bem. Mas bem que podia.
Porque não existe isso de fazer uma coisa bem e outra mal. Simplesmente, vc não faz tudo bem, nem tudo mal. Mas não existe uma linha de equalização. Vc não se equaciona assim. Simplesmente algumas pessoas são mesmo melhores do que outras.
O que não necessariamente é o meu caso, mas também não que não seja.
Acontece que eu tinha uns certos amigos que viviam falando mal de mim. Adoravam dizer que eu andava mal, que eu fazia muita besteira e tinha o mal hábito de ser inconveniente nas circunstâncias mais desaconselháveis, além de descuidado e desastrado.
Eu até fazia um pouco esse papel perto deles, porque percebia que isso os entretinha.
Mas, pensando bem, é que tentavam me equalizar, diante de tantas outras qualidades que eles mal entendiam.
Mas vc tem razão, Ana, a gente demora a encontrar os amigos que combinam com a gente. Mas encontra.
E, nisso, Kqi, somos muito, muito ricos.
Publicado às 17h22 | Comentários: 5
abril 29, 2009
Pequenas iluminações VIII
Era jovem, assim abandonou a sala no meio de um bom filme por causa de uma bela inspiração.
Publicado às 3h22 | Comentários: 1
abril 25, 2009
Pequenas iluminações VII
Isso das pequenas iluminações começou a me encher o saco. Quem quer pequenas iluminações? Eu sei que quero as grandes.
Ficar reparando nas pequenas coisas do dia a dia, nas pequenas alegrias, nas pequenas descobertas, e anotar tudo, a fim de mostrar depois o que ficou, isso é mesmo uma grande bobagem, quando as questões importantes, as questões de vida ou morte, nos rondam a todo o tempo.
E então deixamos passar tudo, e mesmo mais de uma semana (menos que o mínimo, portanto) sem que nada registremos de relevante.
Then it hit me. Não se pode escrever um blog dessa maneira, antecipando o que queremos dizer, como se tivéssemos controle sobre a forma e sobre os enunciados e enunciações. Embora haja gente que pense assim. Explorar a forma do blog. Quando, na verdade, a forma do blog é justamente não ter forma: ser uma estrutura aberta, uma série da qual nunca podemos afirmar qual é o sentido verdadeiro. Sim, enquanto escrevemos, podemos querer dizer uma coisa ou outra, mas isso sempre é no nível do enunciado. É só no depois, sempre a cada último post, que se pode pôr o ponto final nessa série e dizer então que o sentido era esse ou aquele, só no depois, não antes. Quem sabe o sentido de um blog enquanto ele não termina? E o que fazer, se nunca termina?
Mas então, seremos como os adolescentes, que tratam tudo como histórias e esperam ver as histórias terminadas?
Quando eu era criança etc. É preciso agora tolerar que essa história simplesmente não termina, e a cada ponto final é possível atribuir-lhe um novo sentido diferente.
Essa é a beleza da coisa. Essa é a forma. Ninguém está no controle. A metalinguagem não existe.
E anteontem eu ganhei uma rosa.
Publicado às 18h46 | Comentários: 1
abril 16, 2009
Pequenas iluminações VI
Vinha pra casa depois de uma reunião, na minha bicicleta, e como tinha saído com pressa, os pneus estavam meio vazios. E bati em alguma guia mais aguda, porque o de trás estourou. Por sorte, foi bem perto de uma bicicletaria que eu conheço, e parei pra trocar. Só precisou trocar a câmara, e foi barato, mas fiquei conversando com o vendedor sobre o que eu podia fazer pra deixar mais confortável a bike, eu achava que ela pulava muito, e estava dura. Ele falou de uma limpeza, uns ajustes, e, obviamente, trocar a suspensão. No total, concluiu que o preço era bem próximo do preço de uma bicicleta nova, com quadro mais moderno, mais bonita, tudo.
Minha bicicleta era linda, quando eu a comprei, toda branca, aquelas rodas enormes, e como andava bem, como era suave, eu parecia mesmo o Henry Miller, e tinha dado um nome glamouroso pra ela.
Then it hit me. Then it hit me.
Publicado às 15h13 | Comentários: 0
abril 13, 2009
Pequenas iluminações V
E falando em pequenos círculos, conversamos bastante sobre religião, nesses dias. Afinal, era Pessach, Páscoa, e era preciso pensar sobre os novos começos.
Afinal, Cristo ressuscitado pode significar duas coisas, ou bem que o nosso deus está desde sempre morto, como dizia o Lacan, que era católico, ou bem que está desde sempre redivivo. Tal é o nosso mito de origem.
Tivemos ideias sensacionais, cumprir algumas promessas. Semana que vem falo disso. Sim, é preciso esperar.
Também estamos para declarar oficialmente o início da criação da FLAP 2009. Sempre morto ou redivivo, trata-se de um recomeço, é o que tem de claro nesta estação. Minha lista de tarefas está gigante, marcar ela com caneta vermelha não torna a coisa pior nem melhor, é só um detalhe curioso. Eu continuo fazendo mais promessas do quanto posso cumprir, é como um voto. Mas a FLAP não só vai sair, como vai ser incrível. Prometo. Cuidarei disso pessoalmente, como diz um amigo meu.
E almocei sozinho, é mole? Não pude nem me sentir injustiçado, o bacalhau estava ótimo, e eu não ajudei um nada. Mas dá o que pensar, não? Sim, dá, eu continuo achando triste. Mas depois a Ana me telefonou e fomos com o Ricardo e mais o garoto novo na Pça. Roosevelt, como assim pra dizer, o que vcs estão fazendo aqui? E comemos a tortinha de maçã, preparada com cuidado e um certo tanto de peripécia, pelo que sei, e lemos um texto que quase sai das minhas mãos pra garotinha no ônibus, mas ela era muito nova e não ia entender nada. Melhor assim. Pois no nosso mito de origem há também deuses vorazes, será a Tempestade ao mesmo tempo Thor e a rainha das histéricas? Bebemos bebemos.
Then it hit me. Se pomos tudo à prova, desde a antropologia de patronato fisicista, a poesia de Dirceu Villa em confronto com a música do Arcade Fire, as garotinhas de todas as idades e sexos, e mesmo um crítico famoso de cinema, que não pôde recusar o Sonho de Valsa tão ternamente oferecido (ah, o salvo conduto de Páscoa) -- sei que ele teria ficado pra conversar, se nós tivéssemos também esse afã -- não é porque sejamos arrogantes. Não, a palavra arrogância aqui destoa, e vcs acabariam concordando comigo, porque escrevo pra tão poucos, tão poucos, hoje, que os mais acabariam concordando comigo. Não é arrogância, de maneira nenhuma.
É que eu entendi finalmente qual é a nossa geração. Mas deixa-me guardar esse tesouro só pra mim, por enquanto, e aqueles poucos, deixa-me sentir o gosto salgado antes de decidir se enterro ou abro esse baú. Seria mesmo preciso uma imagem pra fazê-los entender, mas não entendam nada ainda, não compreendam tão rápido, como diria o Lacan. Pode-se amar pouco e bem pode-se amar muito, mas não vamos nos apressar.
PS.: como acabei Os irmãos Karamázovi, quase um ano depois -- é com esse mesmo silêncio que se encerra uma obra-prima, sem pressa nem necessidade de estrondo -- precisava de outro livro pra começar. Eis que meu pai me conta sobre o Deserto dos Tártaros, parece que há um filme, e eu não terminei esse livro também. Será ele, portanto. Que ninguém pense que as coisas vêm assim ao acaso.
Publicado às 0h05 | Comentários: 2
abril 11, 2009
Pequenas iluminações IV
Existe uma discussão -- há diversos círculos onde se debatem questões relativas à literatura, e eu não falo de todos eles, mas somente daqueles em que me inscrevo -- a respeito de o autor dever ter ou não controle completo sobre a sua criatura.
Segundo as mais entendidas opiniões -- novamente a reserva se aplica -- é preciso que haja controle. A razão, se devo me aventurar um pouco além do explicado, é que a falta de controle denota falta de comprometimento do autor com sua obra. A escrita automática, o vômito adolescente (aquele que precede o escrito, não o que o sucede, que é mesmo de outra ordem), e todo tipo de escrita sem rascunho, sem rasura -- para ser ao mesmo tempo mais genérico e mais preciso -- denotam falta de comprometimento. Qualquer coisa lhes é suficiente, e a boa literatura não se basta com tão pouco.
Afinal, por que alguém iria ler um mesmo texto mais de uma vez, se nem mesmo o autor chegou a ler-lhe sequer uma? Pois são passos diferentes, escrever e ler.
Isso que queria dizer o Milton Hatoum, referindo-se à minha pobre geração, mas com sua típica grosseria, foi incapaz de pôr em linhas claras.
Muito para além daquele amazonense, no entanto, descobrimos um problema de outra monta: como espera escrever um autor um texto sublime, sem ser, ele mesmo, sublime? Se terá controle sobre sua própria criação, deverá necessariamente estar acima dela. E que escritor pretenderia escrever algo tão chão?
A não ser, é claro, que ainda creia na arrogante narrativa realista, que o mundo seja hegelianamente apreensível, e vocês veem já pela minha incapacidade de manter o mesmo tom o quanto respeito, o quanto admiro essa inocência.
Não, é tanto pior aquele que, sendo bom, e crendo agir bem, faz o mal, e em termos de literatura, em termos de ética literária, pra que fique claro que isso ultrapassa em muito uma estética, tal arrogância é inadmissível. Isso tudo no que toca ao presente assunto.
Then it hit me. Ao propor-me escrever sobre as pequenas iluminações, projetei-me obter, ou lembrar de uma ao menos (ou ao mais) a cada semana, que é a taxa de atualização mínima de um blog razoavelmente decente -- círculo no qual este aqui ainda pretende estar inscrito, apesar dos pesares.
Ocorre que isso é mesmo controle. Então como operar esse problema? Vamos resumi-lo, para retomá-lo: o controle é necessário, é preciso saber o que se escreve, não escrever com menos cuidado com que se pretende ser lido. Por outro lado, é preciso ser sublime, e a não ser que sejamos bastante arrogantes, no sentido realista -- ainda continuo bastate arrogante, em outro sentido -- seremos sempre chãos. Seria preciso perder mesmo o controle, permitir que a obra se elevasse acima de seu criador, e seria mesmo essa a única forma de não pecar contra o verdadeiro Criador, para falar teologicamente -- o que não é de todo inadequando aqui --.
É então que eu recorro à psicanálise, como método, e à etimologia, como fonte, para chegar ao seguinte raciocínio.
A palavra controle não é usada sempre no mesmo sentido. Ora refere-se àquilo sobre o que exercemos domínio, sobre o que temos poder de determinação, e que é o uso mais corrente, porém refere-se ora àquilo sobre o que pomos a vista, sobre o que temos vigilância, àquilo que não nos escapa. Assim na expressão tenho tudo sob controle.
O escrito tem uma alma própria, e como criatura, pode se tornar muitas vezes independente, rebelde mesmo, e voltar-se contra seu criador. Mas não pode ficar à sua revelia. Daí a fala sensacional do Riobaldo, no Grande Sertão, e que equivale aos protestos de Ivan Karamázov contra o diabo: "O mundo é à revelia!"
É preciso portanto que fique sob o seu olhar vigilante. O escritor precisa mesmo saber o que escreve, deve ser seu primeiro leitor, deve cuidar da sua obra, esse o sentido que controle aqui deve ter. Mas como um pai, deve reconhecer quando o filho adquire asas, e talvez deva mesmo permitir, em certas circunstâncias, que ele voe perto demais do sol.
Isso tudo no que toca a este assunto.
Publicado às 16h26 | Comentários: 2
